• Débora Munhoz Barboni

Musicalizar bebês e crianças pequenas conforme a BNCC

Atualizado: Jul 10


A Base Nacional Comum Curricular, classifica a faixa etária de bebês, de 0 a 1 ano e 6 meses. Crianças bem pequenas são classificadas de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses.


Ambas faixas etárias, demonstram muito interesse por música. O objetivo principal da musicalização não é ensinar a criança a tocar um instrumento musical, mas ajudar a criança em seu desenvolvimento integral (em seus aspectos motores, cognitivos e emocionais) e fazer com que a criança amplie seu repertório musical. É a música utilizada como linguagem, como ferramenta para o crescimento.


As propostas musicais envolvem o movimento, atividades de escuta/percepção, instrumentos musicais, socialização e relaxamento. Temos que ter em mente, que são crianças que tem direitos de conviver, brincar, explorar, participar, conhecer-se e expressa-se.


A música pode ajudar o professor a garantir os direitos de aprendizagem, alimentando os campos de experiências e ao mesmo tempo trabalha as competências de uma forma informal, porém muito eficiente.


As aulas de música com bebês e crianças até 4 anos, geralmente possuem a duração de 30-45 minutos. Parece ser um longo tempo de aula, porém, quando o professor utiliza recursos, repertório, sequência de aula de acordo com os interesses e necessidades da criança, tudo fica muito produtivo, encantador e os benefícios são enormes.


Qual repertório é utilizado nas aulas?

Para captar a atenção dos bebês e crianças bem pequenas, o ponto de partida é apresentar propostas com temas do universo deles. Nas aulas, as crianças aprendem uma variedade de canções envolvendo a natureza, brinquedos, animais, estações do ano etc.


Também trabalhamos com músicas eruditas, folclóricas, de outras culturas, utilizando técnicas/metodologias ativas para que a criança se sinta motivada a querer participar, afinal, o contexto é tão importante quanto o conteúdo.


Não podemos esquecer da visão que a BNCC tem sobre o bebê e as crianças:

A BNCC reforça a visão da criança como protagonista em todos os contextos que ela faz parte: ela não apenas interage, mas cria e modifica a cultura e a sociedade. Parte-se do pressuposto de que a criança aprende por meio das experiências vividas no contexto escolar. O papel do professor é ser o mediador, que planeja com cuidado os espaços, materiais, propostas que vão captar a atenção do seu aluno para que ele alimente sua mente, e construa sua aprendizagem.


Como já vimos, a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) garante às crianças, 6 direitos:


Conviver, brincar, participar, explorar, expressar, conhecer-se.

Nas aulas de música, os bebês e as crianças bem pequenas possuem o direito de participar ativamente, seja cantando, tocando, dançando, utilizando brinquedos projetivos, etc. Elas também têm a oportunidade de explorar livremente os materiais sensoriais apresentados, sem intervenção do professor. O brincar livre sempre é um dos momentos mais esperados. Elas também se expressam através dos gestos e do movimento, socializam nas diversas propostas interativas que acontecem no decorrer da aula.

“É essencial que a criança descubra por ela mesma. Se lhe ajudamos a solucionar todas as suas tarefas, lhe tiramos o mais importante para o seu desenvolvimento mental. A criança que consegue algo por meio de experimentos autônomos adquire conhecimentos completamente distintos dos de uma criança a qual é oferecida previamente a solução”- Emmi Pickler.

Segundo Henri Wallon, psigogenista francês, o desenvolvimento da criança ocorre pela maturidade biológica e pela influência do ambiente em que vive.

Os estágios do desenvolvimento, segundo Wallon, são:

· Impulso emocional (0 a 1 ano)

· Sensório motor e Projetivo (1 a 3 anos)

· Personalismo (3 a 6 anos)

· Categorial (6 a 11 anos)

· Puberdade e adolescência (11 anos)

Geralmente, as aulas de musicalização são oferecidas para crianças a partir de 6 meses de idade. As aulas do primeiro estágio possuem muitas propostas de interação entre mãe e filho ou em caso de escola regular, educador e bebê. São músicas que sugerem abraçar, balançar, embalar e proporcionam muito afeto entre o familiar e a criança, que também já demonstra interesse em explorar objetos com as mãos e com a boca. Por isso o professor deve estar muito atento na escolha dos materiais oferecidos, para que sejam seguros e interessantes para os bebês.


Assim que começam a andar (estágio sensório-motor), as crianças demonstram interesse por canções que sugerem movimentos, brincadeira de roda, de colo, de mãos. Os momentos de exploração livres também atraem as crianças deste estágio, por isso, o professor pode oferecer maior variedade de instrumentos e objetos sonoros.

Dos dois aos 3 anos, as aulas de musicalização ampliam o repertório de propostas envolvendo histórias interativas, jogos cantados, atividades de percepção, esquema corporal, canções gestuais, práticas instrumentais.

Conhecer os interesses e necessidades das crianças em cada estágio, oferece maior clareza para planejar e executar as aulas com maior assertividade e flexibilidade, pois imprevistos sempre acontecem.

Na escola regular, a música traz alegria para diversos momentos da rotina e alimenta os campos de experiência com muita ludicidade. O professor que tem um repertório de canções vasto, certamente percebe o quanto a música é uma ferramenta poderosa para a integração, motivação das crianças na sala de aula.

A partir da BNCC, os conteúdos precisam estar inseridos em campos de experiências, que não são caixinhas fechadas. Os 5 campos conversam entre si e o objetivo é trazer um contexto forte para que a criança realmente vivencie o conteúdo de forma significativa.

EU - O OUTRO E NÓS

Um dos objetivos da aula de música é desenvolver a socialização. As crianças participam de canções que utilizam os nomes de cada participante da aula, socializam objetos, participam de brincadeiras de roda, canções em dupla dando as mãozinhas para o coleguinha. Também descobrem que seu corpo produz sons e que estes timbres corporais são instrumentos que podemos utilizar apara acompanhar canções, seja batendo palmas, os pés, batendo na perna etc.


São canções simples, curtas fáceis de memorizar, que desenvolvem a oralidade e ampliam o repertório de palavra dos pequenos.


É importante o professor entender que existem objetivos de aprendizagem por trás de cada proposta escolhida (intencionalidade).

Sons, traços, cores e formas


Instrumentos musicais

Instrumentos musicais são muito utilizados e são uma das partes da aula de música. São fundamentais para ajudar a criança no desenvolvimento da percepção e da psicomotricidade. Seja tocando, explorando livremente ou participando de uma brincadeira musical, os instrumentos musicais propiciam o refinamento da praxia fina, a coordenação viso-motora, que são fundamentais para o desenvolvimento integral.


Percepção

Através dos sentidos, a criança conhece o mundo e amplia sua inteligência. Através de histórias e brincadeiras musicais, pesquisas sonoras e momentos de exploração, a criança descobre e reconhece fontes sonoras, que a auxiliam a identificar e conhecer o mundo que a cerca.


Brincando e interagindo com sons diversos, a criança vivencia os elementos musicais de forma natural e se apropria da linguagem musical, se divertindo e ampliando seu repertório e sua leitura do mundo.


“Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música.


Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes”- Rubem Alves


Exploração

Os momentos de exploração livre são muito valorizados pelas crianças bem pequenas, onde elas exploram objetos, instrumentos musicais, matérias sensoriais, sem interrupção do adulto, que observa seus alunos com uma escuta atenta:


“Quando uma criança atua por iniciativa e interesse próprio, adquire capacidades e conhecimentos muito mais sólidos que se tratamos de lhe ensinar. É essencial que a criança descubra por ela mesma. Se lhe ajudamos a solucionar todas as suas tarefas, lhe tiramos o mais importante para o seu desenvolvimento mental. A criança que consegue algo por meio de experimentos autônomos adquire conhecimentos completamente distintos dos de uma criança a qual é oferecida previamente a solução.”- Emmi Pickler


Escuta, fala, pensamento e imaginação

Na aula, temos o momento da história, onde o professor pode utilizar elementos surpresas como objetos sonoros (por exemplo), contos utilizando as mãos/gestos, histórias interativas utilizando percussão corporal, onde o corpo se torna um brinquedo sonoro rico e lúdico. Não é obrigatório utilizar história nas aulas, porém é uma ferramenta lúdica poderosa para captar a atenção na criança e ajuda-la no desenvolvimento da percepção.


Corpo, gestos e movimento


Movimento

Nas aulas de música, a criança tem contato com diversos estilos musicais, instrumentos, timbres e gêneros musicais. Muitas propostas utilizam o corpo, gestos e movimento.


Através de brincadeiras de colo, de mãos, de roda, danças, marchas, cirandas,parlendas ou lenga-lengas a criança apreende o mundo e constrói conceitos facilmente.


Já dizia Aristóteles:

“Não há nada no intelecto que não tenha passado pelos sentidos”


Porém a criança precisa querer participar. É muito importante o professor escolher um repertório lúdico que motive a criança a desejar interagir, repetir, para que assim ela construa o conhecimento que ela precisa desenvolver.

Espaço, tempo, quantidade, relações e transformações


Em cada proposta, o professor deve levar em conta o espaço que tem disponível e como podemos transformá-lo para agregar ainda mais valor para o contexto, para que ele se torne mais impactante. Quanto tempo você terá para a atividade? Na sua aula, você está garantindo os direitos das crianças?


Como sua aula está fazendo a criança ampliar seu conhecimento musical e fazendo ela se encantar cada vez mais com essa linguagem? Que transformação você está promovendo na sua aula com seus alunos? Essas são algumas perguntas que temos que ter em mente, neste nosso tempo finito.


Para terminar a aula, sempre é interessante fazer um relaxamento com as crianças, para que elas possam desacelerar.


Relaxamento


“São atividades que promovem uma desaceleração gradativa de movimentos, além de propiciar um momento de aconchego, tranquilidade e paz. As canções selecionadas para essa ocasião, quer pelo compasso e andamento, quer pela linha melódica, que tende a linearidade e repetição, sugerem suavidade, singeleza e ternura”- Elvira Drummond.


Seja uma história, um relaxamento dirigido, uma música com sons repousantes, o relaxamento é de suma importância na aula de música.


Palavras finais:


A musicalização infantil é uma poderosa ferramenta para o desenvolvimento infantil. Ela conversa com todos os campos de experiências, garante os direitos de aprendizagem e trabalha objetivos pertinentes a cada faixa etária, desenvolvendo as competências de forma efetiva, principalmente quando o professor é afetivo e conhecedor das necessidades e interesses de cada faixa etária.


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Até breve!

Abraços musicais!


Debora Munhoz Barboni


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Débora Munhoz Barboni leciona como professora de música desde 1999. Possui formação acadêmica em Artes e Pós-Graduação em Educação Infantil e Psicopedagogia. Deu entrevistas para a revistas como "Pais & Filhos" e "Iberian Neurocience", além de escrever artigos para Nestlé e sites como Pediatra Online. Ministra diversas palestras e cursos de formação para professores da Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental (sempre abordando a temática da importância musical no desenvolvimento integral da criança desde a primeira infância). É pianista e autora de materiais sobre Musicalização infantil: CD - Vai começar 1, CD - Brincando e Aprendendo com a Música Vol. 1 e 2, CD - Canções para Brincar, Guia Prático com músicas, partituras e orientação didáticas.


Cantinho da música: @debora.cantinhodamusica


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