Perguntas e respostas sobre a educação bilíngue

Mesmo com muito atraso e a passos lentos, o Brasil está chegando ao nível da educação bilíngue. Em um mundo globalizado, com dimensões da cultura, da política e da economia em processo acelerado de internacionalização, é absolutamente arcaica a educação monolíngue.



A diversificação linguística desde a Educação Infantil tomar como único vetor a globalização, porque não se trata de uma variável do mercado. Há uma riqueza inesgotável de diversidade linguística entre os povos indígenas, que ainda está para ser conhecida e apreciada, a par da incorporação de milhares de expressões ao Português do Brasil.


Dentre as 200 línguas indígenas já descobertas no Brasil, cerca de 180 são utilizadas até os dias de hoje. Aproximadamente 80% dos nomes de plantas e bichos brasileiros são provenientes do Tupinambá, idioma nativo de maior dispersão no território (1). O Português deve aos índios palavras como capivara, tamanduá, cutia, pirarucu, cacau, cajá e mandioca.



A visão multidimensional da realidade e a valorização da experiência, como por exemplo, exposição dos alunos a línguas estrangeiras, por meio de música, de filmes e de viagens, estão entre os imperativos que estruturam a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).


Observa-se que, de fato, a abordagem bilíngue em expansão basicamente na rede particular, orientada por um processo de concorrência comercial. Esse movimento aprofunda a perversa desigualdade educacional que assola o País.


Em 1995, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil mostrava a qualidade da Educação no Brasil em 16ª lugar (80) entre os 22 países da América Latina, à frente apenas da República Dominicana (0,79), da Bolívia (0,78) e de três dos países mais pobres da América Central, Honduras, Nicarágua e Guatemala (PNUD, IPEA, FJP, IBGE, 1998:128) (2).


A Educação no Brasil, além de ser muito ruim, está mal distribuída, distorção que aparece no processo de implantação da abordagem bilíngue, que, grosso modo, só alcança efetivamente o topo da pirâmide de instituições privadas de ensino.


O Ministério da Educação ainda não regulamentou a educação bilíngue, de modo que essa abordagem de modo geral não chegou às redes públicas e se implanta nas escolas privadas só os critérios da lei da oferta e da procura.


A Inglaterra saiu na frente da marcha para o desenvolvimento no começo do Século XX por meio do enfrentamento da chaga da desigualdade educacional mediante formulação e a implantação de políticas públicas abrangentes.


No Brasil, a universalização da Educação partiu de um nivelamento por baixo (2) Já na Inglaterra, adotou-se um standart muito elevado. A melhoria e a equalização da Educação liberou o potencial de gerações inglesas historicamente brutalizadas pelo trabalho degradante e pela exclusão educacional e cultural. (3).

Veja-se que no Brasil os postos mais elevados do organograma das grandes empresas e no serviço público, que exigem direta ou indiretamente, uma formação bilíngue, estão interditados aos estudantes da rede pública, em cujos currículos e na prática é escassa a formação em línguas estrangeiras. Procure saber quantos alunos de escola pública já ingressaram, sem estudos paralelos, na carreira da diplomacia brasileira, que exige formação em inglês e francês.


É urgente, portanto, que o Governo adote políticas públicas de grande envergadura para universalizar o ensino bilíngue no Brasil, de modo a distribuir melhor as oportunidades de vida entre os pequenos cidadãos em processo de formação escolar.




Passamos agora às 5 principais perguntas sobre a educação bilíngue e às respectivas respostas:


1) Educação bilíngue e educação internacional são a mesma coisa?


Resposta: Não. A educação bilíngue é a que proporciona aos estudantes ao mesmo tempo aprendizado na língua materna e na língua estrangeira de acordo com os parâmetros do sistema de ensino nacional. Já a Educação Internacional é administrada em escolas que adotam principalmente os critérios do país de referência, e não a do sistema de ensino local, como é o caso da Escola Americana e a Escola Francesa, que seguem parâmetros educacionais dos Estados Unidos e da França, respectivamente.


2) Qual a idade certa para a criança aprender uma segunda língua?


Resposta: A opção é das famílias. Parte dos especialistas sugere que as crianças se iniciem na educação bilíngue aos dois ou três anos, logo após aprenderem a falar a língua materna. Outros pensam que é melhor aguardar a conclusão do processo de alfabetização na língua materna para, só então, na faixa etária entre 8 e 10 anos, apresentar à criança o segundo idioma. O certo é que é melhor que a pessoa seja exposta ao aprendizado do novo idioma ainda na infância, porque as dificuldades de aprendizado nesse campo aumentam com o passar do tempo.


3) É normal as crianças sujeitas à educação bilíngue misturarem os idiomas?

Resposta. Sim. O discente pode fazer essa mistura para compensar a falta de conhecimento da língua que estiver utilizando no contexto. Quem fala mais de um idioma, precisa operar em uma faixa diferente do cérebro, e essa alternância às vezes pode falhar até mesmo em que já tem proficiência. À medida que o conhecimento vai aumentando, o problema, porém, tende a diminuir. O fato de a criança misturar as línguas que estiver aprendendo simultaneamente não significa que uma língua está atrapalhando a outra. Pelo contrário: exigindo mais do cérebro, a educação bilíngue tende a aumentar as capacidades cognitivas do aprendizando.


4) Quais as vantagens da educação bilíngue?

De acordo com Johan Martensson, da Universidade Lund, que conduziu estudos sobre o assunto, o desenvolvimento do hipocampo e de regiões do córtex cerebral é maior em pessoas que aprendem um novo idioma. Além disso, quanto mais idiomas a pessoa aprende, melhor será o seu acesso ao espectro de culturas nacionais, a diferentes estilos de vida e variedade de formas de organização e expressão do pensamento. Destaque-se também que carreiras de ponta, seja no mercado, seja na academia, exigem o domínio de mais de um idioma.


4) Quais as vantagens da educação bilíngue?

De acordo com Johan Martensson, da Universidade Lund, que conduziu estudos sobre o assunto, o desenvolvimento do hipocampo e de regiões do córtex cerebral é maior em pessoas que aprendem um novo idioma. Além disso, quanto mais idiomas a pessoa aprende, melhor será o seu acesso ao espectro de culturas nacionais, a diferentes estilos de vida e variedade de formas de organização e expressão do pensamento. Destaque-se também que carreiras de ponta, seja no mercado, seja na academia, exigem o domínio de mais de um idioma. Outra vantagem inestimável, é que o domínio de outro idioma exponencializa as suas habilidades comunicacionais e ajuda a superar a inibição.


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Edvaldo Fernandes da Silva

Pós-Doutorando em Ciência Política, Doutor em Sociologia, Mestre em Ciência Política, jornalista, advogado, professor de Educação Básica (1991-1996), professor universitário e cofundador da Rede Pedagógica.



Referências


1. https://www.ebc.com.br/infantil/voce-sabia/2015/10/palavras-indigenas-nomeiam-maior-parte-das-plantas-e-animais-do-brasil.

2. SILVA, Nelson do Valle; HASENBALG, Carlos. Tendências da desigualdade educacional no Brasil. Dados,  Rio de Janeiro ,  v. 43, n. 3, p. 423-445,    2000 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0011-52582000000300001&lng=en&nrm=iso>. access on  26  Apr.  2020. https://doi.org/10.1590/S0011-52582000000300001.

3. Silva, E. F. da. (1). Fundamentos do Compromisso Interclasses na Sociedade Moderna:: análise da determinação recíproca entre capitalismo e cidadania a partir do conflito de classes na Usiminas. Sociedade e Estado, 30(1), 286-286. Recuperado de https://periodicos.unb.br/index.php/sociedade/article/view/5966. Disponível em https://repositorio.unb.br/handle/10482/18430.

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